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Política: Como conduzir uma conversa entre pessoas que discordam

Em um mundo profundamente dividido, conversas que possuem assuntos principalmente relacionado à política, sempre terá discorda. Mas um projeto desenvolvido pela repórter veterana Eve Pearlman, uniu dois grupos que apoiam presidentes completamente diferentes, para demonstrar como realmente é possível manter uma conversa entre pessoas que discordam.

Vida
1 mês atrás
Política: Como conduzir uma conversa entre pessoas que discordam

Uma conexão real através da diferença

A repórter Eve Pearlman contou em uma palestra TED em janeiro de 2019 como foi a experiência do “jornalismo de diálogo”: um projeto no qual os jornalistas vão ao centro das divisões sociais e políticas para apoiar as discussões entre as pessoas que discordam.

“No período que antecedeu a eleição de 2016, eu observei, como muitos de nós, o aumento da discórdia, a causticidade e a sordidez em nossos espaços públicos. Houve um aumento insano na polarização. Era desanimador e penoso. Então, comecei a considerar com um colega jornalista, Jeremy Hay, como poderíamos praticar nosso ofício de modo diferente. Como chegar ao centro das divisões, a pontos de conflito, como os jornalistas sempre têm, mas, uma vez lá, fazer algo realmente diferente.” Disse Pearlman.

Assim, logo após a eleição de 2016, naquele período entre a eleição e a posse, a repórter Eve Pearlman juntou 25 partidários de Trump, do Alabama, com 25 partidários de Hillary Clinton, da Califórnia, para conversarem em um grupo fechado e sob moderação do Facebook, durante um mês.

De início foi perguntado a cada grupo o que eles achavam que o outro lado pensava sobre eles. À partir das respostas leva-se em conclusão que as pessoas, em todos os lados, puderam perceber o quanto simplistas e mesquinhas são.

Depois disso, seguiram para o segundo processo do projeto, desenvolver uma conversa genuína.

“Dois anos após aquele lançamento, Projeto Califórnia – Alabama, passamos a promover diálogos e parcerias com organizações de mídia por todo o país. E têm sido sobre alguns de nossos problemas mais controversos: armas, imigração, raça, educação. E descobrimos, particularmente, que o diálogo real é, de fato, possível. E que, dada a oportunidade e estrutura para que se possa fazê-lo, muitos, mas nem todos, dos nossos concidadãos são ávidos para se envolver com o outro.” Revelou Eve Pearlman.

O projeto foi inteiramente elaborado da maneira mais transparente possível, relatando sobre cada método e os reais motivos.

“A cada etapa, nos concentramos em responder às pessoas, explicando por que fazemos o que estamos fazendo. Dizemos às pessoas que não é uma armadilha: que ninguém está ali para chamar você de burro, nem que a sua experiência não importa. E sempre pedimos um tipo realmente diferente de comportamento, uma nova padronização fora do xingamento reflexivo, tão entrincheirada em nosso discurso que muitos de nós, em todos os lados, nem mesmo percebe mais.” Disse a repórter.

Por fim, o projeto “jornalismo de diálogo” terminou a melhor forma, muitas pessoas, de ambos os grupos, se tornaram amigos no Facebook e na vida real, além das linhas políticas. Tanto que até serviu de incentivo, cerca de dois terços das mulheres continuaram formando seu próprio grupo no Facebook, escolheram um moderador de cada estado e continuam discutindo questões difíceis e desafiadoras.

Com isso, pode-se dizer que o estado de discórdia é ruim para todos, é um estado profundamente infeliz. Entretanto, as pessoas que participaram desse projeto puderam descobrir que as pessoas do outro lado não são “loucas”, justamente por terem tido uma oportunidade de se conectar com outras com as quais, de outro modo, não teriam tido a chance de falar.

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