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Linguagem e pensamento com Steven Pinker

A linguagem é algo que emerge das mentes humanas ao interagir umas com as outras, e cada um tem uma maneira de entender. Isso porque, as palavras comunicam muito mais do que nós percebemos.

Vida
4 meses atrás
Linguagem e pensamento com Steven Pinker

Steven Pinker é um psicólogo e autor do livro The Stuff of Thought (Do que é Feito o Pensamento). Em uma palestra TED de julho de 2005, ele explica a questão da linguagem e como ela expressa o que queremos dizer.

Entenda as formas de linguagem

“Em um livro que estou atualmente trabalhando, espero utilizar a linguagem para jogar luz em um número de aspectos da natureza humana, incluindo a maquinaria cognitiva com a qual humanos conceitualizam o mundo e os tipos de relacionamento que governam a interação humana.” Disse Steven Pinker.

Para entender melhor vamos começar com uma aula de português, em que o psicólogo Steven Pinker explica sobre o verbo.

Um verbo intransitivo, tal como “jantar”, por exemplo, não aceita objeto direto. O correto é dizer, “Maria jantou” e não “Maria jantou a pizza”. Um verbo transitivo obriga que haja um objeto lá, ou seja, “Maria devorou a pizza”. Você não pode simplesmente dizer, “Maria devorou”. Há um grande número de verbos deste tipo, e cada um dos quais molda sua oração. O problema portanto, é saber onde utilizar o verbo corretamente, isto é, quais verbos vão em quais construções.

Há centenas de verbos com dupla maneira de interpretação, e a forma que ficou generalização é que qualquer verbo que possa aparecer na estrutura “sujeito-verbo-coisa-para um recipiente” possa também ser expresso como “sujeito-verbo-recipiente-coisa”. É algo útil de se ter, pois a linguagem é infinita, e o fato é que não podemos apenas ficar repetindo de volta as frases que ouvimos por aí. É preciso remover essas generalizações, e só assim poderemos produzir e compreender novas frases.

Portanto, para saber qual verbo usar vai depender se o verbo especifica um tipo de movimento ou um tipo de mudança de posse. Dar algo envolve causar algo a ir e causar alguém a tê-lo.

E por que disso? De acordo com Steven Pinker, há algumas conclusões interessantes disto e de muitos tipos similares de análises de centenas de verbos. Existe um nível de estrutura conceitual de granularidade fina, o qual nós automaticamente e inconscientemente calculamos, cada vez que produzimos ou expressamos uma frase, que governa nosso uso da língua. Podemos pensar nisso como a linguagem do pensamento, ou “mentalês”.

Os atos da fala indireta é um outro problema presente na interação social humana, que precisa ser refletida. Veja um exemplo que Steven Pinker relatou na palestra.

“”Gostaria de entrar e ver minhas gravuras em metal?” Acho que a maioria das pessoas entendem a intenção por trás disso. E de modo similar, se alguém diz, “Loja legal que você tem aí. Seria horrível se alguma coisa acontecesse a ela”. Nós o entendemos como uma ameaça velada, ao invés de uma reflexão sobre possibilidades hipotéticas. Então o problema é, por que subornos, pedidos educados, solicitações e ameaças são tão frequentemente sutis? Ninguém é enganado ambas as partes sabem exatamente o que o emissor quer dizer, e o emissor sabe que o ouvinte sabe que o emissor sabe que o ouvinte sabe, etc, etc.” Explica ele.

É num cenário como esse que pode-se ter confusões de pensamento e linguagem, causando uma situação desconfortável. O emissor pode estar falando no sentido bom, enquanto o ouvinte pensa em uma situação com duplo sentido, por exemplo.

A linguagem, como interação social, tem que satisfazer duas condições, é preciso transportar o conteúdo real, ou seja, se você quer expressar o suborno, o comando, a promessa, a solicitação e assim por diante, você também tem que negociar e manter o tipo de relacionamento que você tem com a outra pessoa.
“A solução, eu acho, é que nós usamos a linguagem em dois níveis: os signos de forma literal o relacionamento mais seguro com o ouvinte, e em contrapartida, o conteúdo implícito o “ler nas entrelinhas” que nós esperamos que o ouvinte faça permite que o ouvinte derive a interpretação que é mais relevante no contexto, o que possivelmente inicia um relacionamento modificado.” Disse Steven Pinker.

A linguagem indireta, pode tanto funcionar como não funcionar. Para entender melhor usaremos o exemplo que Steven Pinker disse em sua palestra.

No filme “Fargo”, existe uma cena na qual o sequestrador é parado por um policial, e é pedido para que mostre a carteira de motorista e ele segura a carteira para fora do carro com uma nota de 50 dólares escapando um pouquinho para fora da carteira. E ele diz, “Eu estava pensando que talvez nós pudéssemos resolver isso aqui em Fargo” o que todo mundo, interpretou como um suborno velado. Este tipo de fala indireta é abundante na linguagem.

Há muito em jogo nas duas possibilidades de se ter um policial desonesto ou um policial honesto. Se você não subornar o policial, então você vai levar uma multa ou, no caso de “Fargo”, pior seja o policial honesto ou desonesto: quem não arrisca, não petisca. Nesse caso, as consequências são bastante severas. Por outro lado, se você oferece o suborno, e o policial for desonesto, você obtém um enorme ganho de ficar livre. Se o policial for honesto, você toma uma grande penalidade de ser preso por suborno. Então esta é uma situação bastante preocupante.

Por outro lado, com linguagem indireta, se você oferece um suborno velado, então o policial desonesto poderia interpretá-lo como um suborno, o que no caso você obteria o ganho de ficar livre, o policial honesto não pode te prender por ser tentativa de suborno, e portanto, você fica com o incômodo da multa. Então você tem o melhor dos dois mundos. E uma análise similar, penso eu, pode ser aplicada ao desconforto potencial de uma solicitação sexual, e em outros casos onde a negabilidade plausível é uma possibilidade. Acho que isso afirma algo que é conhecido há bastante tempo por diplomatas a saber, a qualidade vaga da linguagem, longe de ser um erro ou imperfeição, pode realmente ser uma característica da linguagem uma que usamos para tirar vantagem em interações sociais.

Por fim, Steven Pinker finaliza dizendo: “A linguagem é uma criação coletiva humana, que reflete a natureza humana — como nós conceitualizamos a realidade, como nós nos relacionamos uns com os outros e em analisar os vários caprichos e complexidades da linguagem, acho que podemos obter uma visão sobre o que nos faz funcionar.”

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